
Foto © Alípio Padilha
Filipa Malho é licenciada em Design de Moda pela Faculdade de Arquitectura de Lisboa. Em 2008, venceu o Concurso Jovens Criadores na área da moda. Desenhou ainda o guarda-roupa para a primeira curta-metragem de ficção científica portuguesa – AQUA – que fez parte da selecção do INDIE Lisboa 2007. O currículo é rico mas não nos diz tudo sobre esta artista multifacetada. Moda, joalharia, artes plásticas, design e cinema fazem parte do percurso desta incessante exploradora de experiências e tendências, paixão que aprofunda com a edição da revista online de tendências urbanas RUAmag. Filipa tem agora uma exposição patente na Taken – Urban Culture Store de Santa Catarina, no Porto, acerca da qual fomos falar com ela. “São desenhos. E uma peça de roupa.” Inevitavelmente.
Na apresentação da exposição lê-se, relativamente às ilustrações, que no “inicio gostavas de contar histórias”. Não haverá sempre um contar de história numa peça de roupa que crias para alguém que não sabes quem é? Esse lado imaginário ajuda-te no processo criativo ou a funcionalidade e a estética vêm primeiro nas peças de roupa que crias?
No processo criativo há-que ter sempre em conta para quem e para o quê. Isto porque na verdade tenho trabalhado muitas vezes para outros designers, e quando isto acontece, todo meu processo criativo acaba por estar ligado à história que o designer quer ou pretende contar. Quando perguntas se escolhi entre histórias ou funcionalidade e estética, não consigo simplesmente deixar de pensar em que todas são importantes no desenvolvimento de um novo projecto. Talvez quando tinha 12 anos a funcionalidade fosse absolutamente secundária tendo em conta que pouco percebia como se construía uma peça! Em última instância é roupa. E a roupa é para vestir.
O que podemos encontrar exactamente em Santa Catarina?
Uma série de ilustrações que realizei durante este ano, que foi particularmente agitado tanto a nível pessoal como profissional. As ilustrações flutuam entre estados de humor mais e menos felizes. As peças de roupa foram a colecção com a qual venci o concurso Jovens Criadores 2008 promovido pelo Clube Português de Artes e Ideias.
As pessoas que desenhas usariam a roupa que crias ou consegues mesmo desligar-te - “liberta de qualquer responsabilidade profissional” – como a exposição promete?
Absolutamente libertas. Apenas o gozo de explorar linhas, texturas cores e formas…. Adoro!
Sendo tu fundadora de uma revista ligada ao meio urbano e tendo, imagino, essas facetas de edição, ilustração e criação de moda sempre a agitar-se em ti, como é que absorves e arrumas tudo aquilo com que te confrontas visualmente na rua? Há algum filtro ou todo esse caldeirão mágico é mais interessante assim orgânico e cheio de vida? Fala-nos um pouco do projecto da revista.
Portugal precisa de mais agitação, mais cor, e existe tanto potencial! Há obviamente um filtro, todos nós somos um aglomerado de experiências e informação que acabam por ser os nossos filtros conscientes ou não. A RUAmag começou como uma descarga de obrigações patronais, onde explorava uma temática que sempre me interessou, o streetsyle. Estando eu ligada ao mundo artístico, e consciente das dificuldades e obstáculos existentes em Portugal, pensei que seria interessante criar um espaço mais livre e aberto onde as pessoas pudessem mostrar o seu trabalho, abrir portas, e facilitar a comunicação e divulgação de muito trabalho ainda desconhecido.
Às vezes pode transparecer a ideia que a moda, em geral, é quase como um truque de ilusionismo; algo de muito superficial e enganador que tem o condão de nos deixar de boca aberta. Mas tu tens a experiência das histórias nos desenhos que fazes e por isso imagino que tenhas uma sensibilidade especial para nos explicar se podemos encontrar profundidade na moda para além daquilo que vemos? Há mais para além daqueles diabólicos passos de magia que nos embasbacam?
Mais ou menos ilusionismo, aquilo que vestimos é sempre parte de nós Sejamos nós mais ligados ou menos ligados a moda ou às tendências, existirá sempre uma ligação entre o que somos e aquilo que tiramos de manhã do armário.
A exposição de Filipa Malho está patente até ao próximo dia 30, na Taken – Urban Culture Store de Santa Catarina, no Porto. A RUAmag está online em www.ruamag.com e também está no Facebook.
Por MC | Zero Emag